Ao migrar para São Paulo em 2014 para estudar teatro, Luz Bárbara se depara com a realidade da presença nordestina e principalmente sertaneja na cidade. Escavar os ciclos de migração dessas comunidades se fez necessário e remontar a história de colonização e ocupação das terras do Nordeste, principalmente do sertão nordestino, pois é desde a instalação dos aldeamentos dos padres portugueses e das fazendas de bois, propriedades dos próprios padres e dos sertanistas paulistas, por volta dos anos 1700 no contexto das “Guerras dos Bárbaros”, que os povos do nordeste são obrigados a se retirarem de seus territórios na busca por melhores condições de vida. Nosses nordestines compõem majoritariamente a classe prestadora de serviços em São Paulo, são empregadas, diaristas, garçons, porteiros e motoristas, como também agricultores nas comunidades rurais periurbanas.
É inegável que este contingente de migrantes têm uma experiência de vida racializada com lugares sociais pré determinados por seus fenótipos indígenas (ainda que esta identidade étnica seja invisibilizada) e estereótipos construídos pelo racismo. Se intensificando como projeto autobiográfico e artístico desde 2015 quando Luz percebendo-se migrante, nordestine, negre, desobriga-se do lugar predeterminado por sue estereótipo. Luz coloca-se como legítime narrador de sua história. A pesquisa tira o pó do tempo e dos documentos que silenciaram sua história e ancestralidade. Luz fala de vida. De suas vidas, sua e de Margarida Maria Alves. Só o autoconhecimento e a autoafirmação podem contestar e possibilitar uma mudança social.
Assim esta pesquisa tem como objetivo promover debates em torno dos eixos temáticos do Projeto: memória - migração - auto reconhecimento identitário - pertencimento indígena - negritude - mulheridade - ancestralidade - territorialidade - terra livre e dar visibilidade à memória de Margarida Maria Alves. Em nosso blog você acompanha textos sobre cada um de nossos temas.