É melhor morrer na luta que morrer de fome | Margarida Maria Alves foi uma militante camponesa assassinada em 1983 por interesses políticos de latifundiários da cana-de-açúcar no Brejo paraibano. Reconhecida como símbolo de força e resistência da mulher no Brasil, uma proeminente defensora dos direitos de trabalhadores rurais. A camponesa estudou até a antiga 4ª série do ensino primário e aprendeu as leis trabalhistas para defender a causa de seu próprio pai. Margarida foi a primeira mulher presidente de um sindicato, um marco na participação política das mulheres no Brasil, defendeu mais de 600 causas trabalhistas durante seu mandato de 12 anos sem nunca ter perdido uma. Criou um programa de alfabetização para adultos através dos métodos de Paulo Freire, fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, foi fundadora do Movimento de Mulheres do Brejo (MMB) o primeiro movimento de mulheres da classe trabalhadora, pela necessidade de expor a luta de classe através da sua condição de mulher, entre muitas conquistas.
Por sua atividade política no Brejo paraibano, Margarida recebia frequentes ameaças do Grupo da Várzea, grupo formado por latifundiários, políticos e delegados com o intuito de defender os interesses da classe proprietária, liderado pelo poderoso usineiro Aguinaldo Veloso Borges dono da Usina Tanques. No dia 12 de agosto de 1983, na cidade de Alagoa Grande, Paraíba, Margarida foi brutalmente assassinada por um matador de aluguel com um tiro de espingarda no rosto, na porta de sua casa, na frente de seu filho, de seu marido e de vizinhos, no momento do crime foi interrompido fornecimento de energia elétrica da cidade para facilitar a fuga dos executantes. A execução de Margarida Maria Alves teve repercussão nacional e internacional, com várias manifestações de apoio por parte da Anistia Internacional. Ela é homenageada pelas mulheres do campo, da floresta, das cidades e das águas no maior encontro de mulheres da América Latina, a Marcha das Margaridas, que acontece de quatro em quatro anos em Brasília desde 2000, neste ano de 2019 a Marcha das Margaridas teve recorde de mais de 100 mil mulheres. da Anistia Internacional.
Em 2000, junto com a realização da primeira Marcha das Margaridas, foi feita a denúncia contra a República Federativa do Brasil pelo assassinato da defensora de direitos humanos frente à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Em paralelo, a partir de um longo processo administrativo, Margarida teve sua condição de anistiada política reconhecida em 6 de julho de 2016, pela Portaria nº 1.114/2016. No dia 14 de dezembro de 2018 a CIDH notificou os peticionários da adoção do Relatório Final de Mérito relativo ao caso, responsabilizando o Estado brasileiro pela morte de Margarida Maria Alves. Toda história começa com a desterritorialização: Margarida e sua família foram expulsos das terras a que pertenciam. Assim, como tantos outros, passou a ter uma identidade apenas camponesa e sem terra.